Meu 10° dia no Caminho da Fé a Pé – de Campos do Jordão a Serra de Gomeral, o Dia da "Falcatrua" e o Ponto Mais Alto do Caminho
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Se tem uma coisa que o Caminho da Fé nos ensina é que o corpo tem limites e que o orgulho não te leva a lugar nenhum. Meu décimo dia começou com um misto de gratidão e de realidade: o pé estava bem zoado, inchado e manquitola, e as pernas de outro peregrino que formamos um grupo, também já sentiam o peso dos dias anteriores.
Para completar, na noite anterior não conseguimos serviço de
lavanderia no hotel. Acordei, tomei aquele café da manhã espetacular e
reforçado na Pousada Primavera (comi como se não houvesse amanhã!) e tive que
improvisar: amarrei a cueca que não tinha secado na mochila para secar ao
vento durante a caminhada, e fomos para a rua.
A Justa "Falcatrua" em Homenagem ao Davi
Diante da dor no pé, tomamos uma decisão. Em vez de forçar o
erro e estragar o resto da jornada, decidimos fazer o que o Davi (lá do canal Vlog
do Peregrino) chama carinhosamente de "falcatrua": pegamos um
Uber da pousada até a entrada do Horto, em Campos do Jordão. Com isso,
reduzimos o trecho que seria de 26 km para cerca de 14 km até o nosso destino
final.
Essa "falcatrua" foi uma verdadeira homenagem à
honestidade com que o Davi relata suas peregrinações — se está ruim, está ruim
e pronto. O objetivo dessa minha caminhada nunca foi bater recordes, mas
sim buscar autoconhecimento, refletir sobre problemas familiares, agradecer e
curtir a jornada da forma mais pura possível.
Campos de Altitude e o Ponto Culminante do Caminho
Logo no vilarejinho do Horto, começamos a caminhada.
A subida por ali é leve, mas é contínua e não para. À medida que avançávamos em
meio à vegetação típica e aos belíssimos campos de altitude, o visual ia se
abrindo. Passamos pelo Mirante do Pau Arcado e, lá no fundo, conseguimos
avistar a imponente Pedra do Baú. É uma paisagem que recarrega qualquer
energia.
A recompensa veio quando atingimos o ponto culminante de
todo o Caminho da Fé: com seus 1.965 metros de altitude.
Estar ali no topo, olhando para aquela imensidão e vendo a Pedra do Baú e a Ana
Chata de fundo, faz qualquer dor no pé passar a segundo plano.
Dica de ouro para quem vai passar por esse trecho: A
região de Campos é linda, mas exige atenção redobrada com a segurança e o
trânsito. A estradinha é estreita, então caminhe sempre na esquerda. Viu que
vem carro? Dê um passo para o lado, encoste no barranco e espere passar. Não
adianta dar sorte pro azar ou querer disputar espaço com automóvel. Além disso,
esse trecho não tem pontos de apoio oficiais; vá bem abastecido de água
e lanches.
Uma Parada de Sorte e a Descida de Pedrinhas
Eu já caminhava pensando: "Se a dor virar uma dor
aguda, paro no próximo apoio e peço carona". Estávamos mantendo um
ritmo bom de 4 km/h para quem estava machucado. Quase chegando, avistamos uma
pousadinha no meio do nada (cerca de 11 km após o Horto). Eu já havia passado
por ali em anos anteriores e sempre a encontrei fechada. Para a nossa surpresa
e alegria, hoje estava aberta! Paramos para um "almoço" de respeito:
pão com ovo e queijo, uma tubaína gelada e um cafezinho para dar o gás final.
Faltando apenas 3 km para o nosso objetivo, iniciamos a
famosa Descida de Pedrinhas. Bem, o nome "Pedrinhas" hoje é quase
ironia, porque passaram a máquina e a estrada estava um verdadeiro tapetão de
terra, embora o trecho final ainda guarde a velha e boa quantidade de pedras
soltas.
O visual desse paredão na descida é, para mim, o mais bonito
de toda a região. Deu para ver até a cachoeirinha lá no fundo, embora estivesse
bem minguada de água comparada a outras vezes em que passei por aqui.
Chegada na Trutaria e Planos Mudados
Finalmente chegamos à Pousada Trutaria, um lugar que eu
sempre tive muita curiosidade de conhecer e hospedar, mas que as distancias das
peregrinações anteriores nunca permitia.
O plano inicial, junto com outro peregrino, era esticar os
últimos 34 km diretos até Aparecida de uma vez só amanhã. Mas o Caminho
é soberano e o corpo pede prudência. Com o pé nesse estado, decidi que vou
picar esse trecho final em dois dias. Vamos descer até o Gomeral, procurar a
última pousada por lá e quebrar a caminhada. Aqui a importância saber
planejar, organizar e, acima de tudo, ter flexibilidade para alterar o próprio
itinerário. É exatamente essa virada de chave — saber adaptar o percurso sem
perder a essência da jornada — que eu ensino detalhadamente no meu Curso Ser
Peregrino!"
No final das contas, o Caminho da Fé serve exatamente
para isso: para nos ensinar a desacelerar, escutar as experiências dos outros,
praticar a nossa própria expiação e perceber que, muitas vezes, criamos
tempestades em copos d'água com problemas que são pequenos perto das realidades
que encontramos no mundo.
Amanhã tem mais, com o pé remendado, mas com o coração leve
rumo à Aparecida!
*** Gostou do relato? Deixe seu comentário aqui embaixo, compartilhe com aquele amigo que está planejando a peregrinação e não se esqueça de acompanhar os próximos passos dessa jornada!
Você sonha em fazer uma peregrinação, mas tem medo de
não saber por onde começar? Preparei um curso completo, passo a passo, para
você peregrinar com segurança, planejamento e propósito.
Link para o Curso Ser Peregrino: https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/ser-peregrino/C101218346Y
Siga-nos:
Instagram: https://www.instagram.com/ser.peregrino
Facebook: https://www.facebook.com/canaldovadico
TikTok: https://www.tiktok.com/@ser.peregrino
e-mail para parcerias: canaldovadico@gmail.com
Link para o vídeo no Youtube:
Bom Caminho!
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Comentários
Postar um comentário